Blog de efeefe

De um email, tentando explicar a gambiologia:

Daí o que a gente vem chamando de Gambiologia é essa tentativa de entender, conceituar, referenciar e de certa forma naturalizar o improviso e a impermanência não como atraso, mas pelo contrário como habilidade essencial pro mundo contemporâneo.

Acabou que não consegui participar da discussão do eixo de Arte do Fórum de Cultura Digital. Eu queria continuar uma linha de raciocínio que tinha começado na mesa de trabalho do eixo que aconteceu em Sampa há alguns meses (e que acabou influenciando meu post "Cyberpunk de chinelos"). De qualquer forma, cabe aqui o registro - Cícero Silva acaba de publicar o relatório final sobre Arte Digital. Baixei o PDF aqui pra ler no fim de semana.
Atualizando: dei uma lida no relatório. Ele levanta alguns pontos interessantes, mas de modo geral achei bastante restrito a uma visão específica de "arte": museus, fomento, formação, etc. Também achei ele tendendo muito pra visão do Manovich, de sociedade baseada no software, uma referência que é interessante mas não é a única. Acho que faltou o relatório inovar em relação à própria atividade artística, seu alcance e como ela se costura com a sociedade em âmbito mais geral. Pra que ela serve mesmo? Acho que algumas experiências nos últmos anos abriram um espaço de discussão importante nesse sentido. Inclusive experiências brasileiras, como o Upgrade! em Salvador, que aconteceu dentro de um ônibus em movimento. O relatório parece nem saber dessas experiências.
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Sábado passado (dia mundial do movimento dos sem satélite) fui até o MIS para apresentar as zonas autônomas sem fio no Mobilefest. Não havia muita gente por lá - além da concorrência com a conferência municipal de comunicação e com o TEDx, a programação do Mobilefest também estava dividida - outra mesa estava rolando ao mesmo tempo que a minha. Resultado: a mesa tinha quase tanta gente apresentando quanto assistindo (depois eu mando outro post comentando as outras apresentações). Na minha vez (fui o último), apresentei e demonstrei ao vivo o protótipo funcional da rede (direcionando pra uma página contextual - mobilefest, slides, etc.). O bom foi que por conta da apresentação eu passei a noite de sexta organizando as ideias relacionadas às ZASF, e saiu uma apresentação de slides decente. Ela começa com quatro questões fundamentais relacionadas às redes autônomas sem fio:

  • compartilhar espaço (ou proximidade) x estar em rede
  • privacidade x acesso ubíquo
  • e se alguém desligar a internet?
  • ainda existe mistério no mundo?

slides em anexo
Slides em anexo (PDF, ~760KB).
 
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Na semana que vem, a Matilha Cultural começa sua programação "Copenhagen é aqui", trazendo uma programação paralela ao COP-15. O Desvio estará participando com a instalação "Desviados" sobre lixo eletrônico criada por Glauco Paiva. Abaixo a descrição da instalação:
A produção mundial de equipamentos eletroeletrônicos cresce a cada ano. À medida que a indústria e a mídia impõem um ritmo acelerado de obsolescência e consequente descarte desse material, o mundo inteiro se vê frente a um novo problema. O descarte eletrônico tem alta concentração de componentes tóxicos, e não pode ser misturado com o lixo comum.
Colagem Final
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Placa em obra de Ubatuba.

O Desvio foi convidado a apresentar o projeto ZASF na edição de 2009 do Mobilefest, semana que vem no MIS-SP. Detalhes da apresentação abaixo:

Data: 14/11 - Sábado
Local: MIS - Av Europa, 158 - Jd Europa / São Paulo
Sala: Auditório LabMIS
Horário: 14h00 as 15h40
Tema: Mobilidade e Comportamento
Participantes:   Marcus Marçal / Sandra Rúbia da Silva / Diego Jair Vicentin / Felipe Fonseca /
Marcelo Godoy(moderador)
Formato apresentaçãoseminário de 20 minutos para apresentação de cada trabalho.
No final abriremos mais 20 minutos para perguntas e debate.

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Rolou na terça da semana passada a mesa no simpósio de arte contemporânea no paço das artes. Antes da mesa, fui almoçar com o pessoal do Weblab no Sweden, e encontramos um pessoal do simpósio por lá (entre eles nosso amigo desviante James Wallbank, do lowtech.org). Dei uma carona pro James até o Paço. Fui apresentado para os participantes da mesa, Rogério da Costa e Alberto Cuenca, e o debatedor Eugenio Figueroa.
Fiz uma breve introdução, falando sobre como as redes reconfiguram fundamentalmente a sociedade, e com isso colocam de outra forma a questão do acesso a informação e conhecimento.
Alberto começou a mesa, discorrendo sobre as implicações e contradições da indústria da propriedade intelectual em uma sociedade interligada. Deu como exemplos o software livre, os wikis, a creative commons. Citou Ned Rossiter - as redes organizadas e a busca de novas formas institucionais. Focou bastante no contexto legal do copyright. Também trouxe a imagem do Lamborn Wilson - o navio como simultaneamente motor do capitalismo e resistência a ele.
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Semana que vem vou mediar um debate sobre Redes Sociais, Arquivo e Acesso, com Rogério da Costa e Alberto Lopez Cuenca, no III Simpósio de Arte Contemporânea, no Paço das Artes. Também na programação da semana estão os brodas James Wallbank e Mike Stubbs.

Alguns vídeos bem simples com um screencapture de alguns testes da ZASF em rede Mesh.

ZASF #1

Oraculismo #1

Villem Flusser, n'a Filosofia da Caixa Preta (pp. 32/33):

Uma distinção deve ser feita: hardware e software. Enquanto objeto duro, o aparelho fotográfico foi programado para produzir automaticamente fotografias; enquanto coisa mole, impalpável, foi programado para permitir ao fotógrafo fazer com que fotografias deliberadas sejam produzidas automaticamente. São dois programas que se co-implicam. Por trás destes, há outros. O da fábrica de aparelhos fotográficos: aparelho programado para programar aparelhos. O do parque industrial: aparelho programado para programar indústrias de aparelhos fotográficos e outros. O econômico-social: aparelho programado para programar o aparelho industrial, comercial e administrativo. O político-cultural: aparelho programado para programar aparelhos econômicos, culturais, ideológicos e outros. Não pode haver um "último" aparelho, nem um "programa de todos os programas". Isto porque todo programa exige metaprograma para ser programado. A hierarquia dos programas está aberta para cima.
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